
No começo do ano um rapaz de nome Ralph, indicado pela minha amiga Mariana Blanski, foi assistir Rosa de vidro para me ver e se gostasse do que visse me convidaria para o novo trabalho do seu grupo, o Teatro da Curva. Acho que gostou, pois acabou me convidando para o referido trabalho.
Eu não os conhecia e a príncipio fiquei lisonjeado pelo convite, mas não tinha idéia do que se tratava. Ele me mandou o texto, gostei de cara! Inteligente, engraçado e bem contemporâneo, apesar de ser um clássico. Tratava-se de "Cândido ou o otimismo" de Voltaire.
A surpresa é que o meu personagem era justamente o Cândido, um personagem marcante, de infinitas possíbilidades e de muito peso na estória. Me senti então honrado e desafiado. O desafio de "ser" Cândido!
Topei de cara e começamos o processo. Um processo bem complicado, principalmente pelo tamanho do elenco e pela falta de recursos, que é uma máxima no nosso teatro "alternativo". Foram meses de trabalho, várias madrugadas perdidas, muita voluntariedade de todos e conseguimos levantar a peça. Com muito OTIMISMO!
Fiz novas amizades, criei novos parceiros e serei sempre grato à todos, mas príncipalmente à Ralph Maizza que acreditou que eu poderia "ser Cândido".
O trabalho está aí para quem quiser ver aos sábados e domingos no teatro X. Não se trata de uma montagem rica e luxuosa, mas como diria Pangloss:
"As grandezas são muito perigosas" e arremataria Martinho:
"trabalharemos então sem refletir demais...o homem deve estar ocupado para não adoecer e morrer" e concluiria eu, como Cândido:
"Vamos, precisamos cultivar a nossa horta"
Escrito em 25/08/08
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