
Sempre acreditei ser um cara esperto. Não o cara mais malaco do mundo, mas safo. Ligeiro. Viradeiro, como dizia a mãe de um grande amigo, que falava que eu sabia me virar como um tatu bola. Com uma boa retórica e um olhar sobre o mundo ausente de mim e fundamentalmente sobre as pessoas, especialmente, necessariamente, quase obrigatoriamente sobre as pessoas. Não sei desde quando e nem como isso se dá. Mas quem me conhece a mais tempo, de quando não pensava ser ator e sim artista plástico, desde quando comecei a desenhar com nove anos de idade, só conseguia desenhar e pintar pessoas!! Não queria desenhar paisagens, acontecimentos ou coisas...só queria desenhar pessoas, pessoas e pessoas. À uma bela mulher, eu sempre queria dar os meus traços, para mais tarde dar as minhas palavras. O ser humano sempre foi o foco da minha atenção. Passava o tempo inteiro reparando como o ser humano age e reage nas mais diferentes situações e nos mais variados estilos de vida. Me fascina! Me pego o tempo inteiro parado por minutos em absoluto silêncio, em lugares movimentados ou não, olhando fixo e despercebidamente para alguém, descrevendo toda a possível genese imaginária que surge com imagens e sons na minha cabeça. Tentando entender realmente como funciona aquela pessoa, que as vezes eu conheço, as vezes não. Pode ser algum amigo qualquer, alguém no metrô, a mulher amada, algum caixa de algum lugar, os caixas são fodas, por que você já tem que ficar na fila, geralmente já quieto se está sozinho, aí não tem jeito!! Observo tudo naquela carcaça dotada de alma. O supermercado que vou toda madruga comprar a lara, tem um caixa surreal, o cara é uma figura tão esquisita que não vou ousar descreve-lo, pois alguém pode querer me descrever um dia. Só sei, que sei que acho que conheço ele mais do que ele mesmo. Parece uma patologia de alguma esquizofrenia, mas...na verdade acabou me moldando à alguém com uma certeza de que podia entender qualquer atitude de alguém ao meu redor, não que eu não fosse nunca surpreendido, é como se houvesse uma margem de erro, mas que eu jamais me enganaria profundamente sobre alguém que eu convivesse. Que nunca eu pudesse falar: Eu não consigo entender! Ou admitiria: Me enganei profundamente sobre aquela pessoa! Jamais esperaria isso dela!
Porém, o tempo, sempre ele, me mostrou que eu tava errado e que talvez eu não fosse tão perceptivo assim ou que quando se tratasse de determinadas situações bem específicas alguém poderia me surpreender verticalmente, para o bem ou para o mal. Tenho pensado muito nisso, por que ao duvidar da decepção inesperada, o tombo acabou sendo muito maior e isso reverberou meio drasticamente e tem me tornado muito descrente e desconfiado das boas intenções e das palavras cheias de sinceridade e segurança. É impressionante quando algo é muito claro e você não consegue ver, por várias vezes você olha e não enxerga a realidade, parece quase que um bloqueio de fé. Querer acreditar que uma pessoa que você acha que conhece muito, numa situação complicada sempre vai agir por bem. Acreditar que nunca uma pessoa que te ama, pode te enganar. Que pessoas que você teve certeza que eram pessoas fantásticas, eram pessoas fantásticas.
E por fim, o pior é a sensação de que no fundo foi só eu que menti pra mim, que eu me enganei querendo que as coisas não fossem como elas são e que valores, não fossem individuais. Sei que em cada lamento, são apenas palavras de sal e que para a visão externa de alguém minhas decepções podem parecer uma generalidade e que todo mundo passa por isso. Mas cada um conhece seus fantasmas. E Eu só quero voltar à acreditar de verdade.
"Pode o homem suportar por suas mãos ser traido?
De querer estar cansado pro descanso ser o riso,
De querer estar dormindo para o sonho ser o ciso,
De jamais ter o quero e ter sempre o que não preciso."
Portanto,
Quem pode pesar o sofrimento que sofreu,
Se tamanho sofrimento não for seu?
3 comentários:
Ninguém... ninguém pode, somente nós mesmos!
É né....não sabia que vc tinha visitado aqui. Seja bem vinda!
Valeu, bonito o que vc esvreve!
Visite o meu, talvez eu não seja tão poética, política ou profunda porque escrevo sobre qualquer coisa, coisas que acontecem comigo ou não, verdades ou não, coisa que as vezes nem existem, ou quem sabe, só para mim... mas escrevo com carinho.
Beijo e até.
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