Pablo Picasso Art of the Day

Salve Jorge!

08/02/09

Grão Hélio!





No começo da década de noventa, não lembro bem que ano, lembro de entrar na casa do Denis
(grande amigo até hoje), e a gente começou a assistir a um evento num canal que pegava na parabólica. O evento se chamava Ultimate Fight Championship, um evento de lutas, caracterizado como "vale-tudo"! Ou seja, os caras entravam no octógono e colocavam à prova suas habilidades marciais e consequentemente as escolas marciais à qual seguiam. Literalmente, iam pra porrada. E lá estava um rapaz nada musculoso, de kimono, frente à gigantes e chamado pelo comentarista do evento como "o homem mais perigoso do mundo". Chamou minha atenção, pois sempre tinha praticado artes marciais e gosto realmente de luta. Fiquei mais empolgado quando vi que era um
Brasileiro, chamado Royce Gracie, representante de uma luta chamada jiu-jitsu, desconhecida ainda pra maior parte do mundo, mas já muito forte no Brasil, tanto que hoje é mundialmente conhecida como Brazilian jiu-jitsu. Aquele rapaz que se tornou campeão absoluto nas primeiras edições do evento, era filho de um senhor chamado Hélio, o grande responsável pelo jiu-jitsu ser hoje uma luta Brasileira, e pelo "vale tudo" ou como agora é chamado o estilo: MMA (mixed martial arts) ser um dos esportes mais populares do mundo. Hélio Gracie desenvolveu um sistema de defesa pessoal novo, que ele espalhou pelo mundo e serve e serviu de treinamento para várias Polícias especiais, como a Swatt e a Mossad por exemplo, uma técnica que dispensa o uso de socos e chutes e através de chaves, torções e estrangulamentos dão a possibilidade do mais fraco sobrepor o mais forte, como ele mesmo provou, lutando com lutadores com até o dobro do seu peso, Hélio tinha apenas 63kg. Hélio também está no Livro dos recordes, pela luta mais longa da história com mais 1h30m de duração, essa luta foi com Valdemar Santana, que havia sido seu aluno, na época Helio com 42 anos tinha o dobro da idade de Valdemar e era muito mais leve. Seus filhos deram continuidade à divulgação do jiu-jitsu, lutando em eventos ao redor do mundo e indo em todas as academias de outras artes marciais desafiar os seus campeões, tudo para provar a superioridade do jiu-jitsu, Rickson, o campeão da família foi se tornar um mito no Japão e Royce foi lutar no UFC. E assim abriram academias no mundo inteiro, pois sempre tinha gente nova interessada em conhecer a "arte suave".




Quando comecei a treinar em 95, só tinham duas academias em São Paulo, a Lótus, onde eu treinava que era na Zona Norte e a Companhia Paulista. A maioria dos meus amigos não sabiam o que era aquilo e achavam graça dessa luta de "agarração", mas logo entenderiam se tratar da mais eficiente arte marcial. Parei de treinar alguns anos depois, quando deu o boom do jiu e dos bad boys, ficava desmotivado em ver o tatame antes só de amigos, lotado de bombados querendo aprender a bater. Mas nunca me desliguei daquilo e sempre acompanhei todos os eventos, desde aquele fatídico UFC 1, passando do Ultimate para o Pride e o K1 no japão e outros eventos ao redor do mundo, além do Ultimate que voltou agora a ser o maior evento do planeta. Vi aparecerem todos os grandes lutadores brasileiros e acho que sempre fui muito ligado por que o Brasil sempre produziu grandes lutadores. E hoje quando vejo a dimensão que o negócio tomou, com bolsas gigantescas, eventos em Las Vegas com pletéia lotada de famosos e o pay per view batendo recordes, penso em Hélio Gracie, que morreu mês passado aos 95 anos, sem nunca receber uma estátua do governo por ter sido um dos maiores esportistas do país e responsável por hoje, um monte de garotos que provavelmente estariam por aí arrumando confusões, poderem estar "brigando" num ringue, por bolsas que na maioria dos casos mudam as vidas de suas famílias e acredito que em boa parte dos casos, esses garotos também cresceram como seres humanos ao terem a oportunidade de alcançar novos horizontes. é lógico que tem muito nêgo sangue ruim mesmo, mas acho que os grandes eventos dão cada vez menos espaço para esse tipo de profissional, afinal o público quer ver uma luta agressiva, mas também quer ver desportistas com cérebro.




Hélio Gracie foi um ícone do esporte Brasileiro, um exemplo de conduta, disciplina e honra. Que sua trajetória não seja esquecida, pois o mundo das artes marciais nunca mais será o mesmo depois do grão mestre Hélio Gracie.

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